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Aspartame: o adoçante controverso que pode causar câncer

Atualizado: há 6 horas





A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez uma declaração inesperada, elevando a controvérsia em torno do aspartame a um novo patamar. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) da OMS anunciou que o aspartame, um adoçante artificial amplamente utilizado em bebidas dietéticas e alimentos com baixo teor de açúcar, pode causar câncer. Isso marcou a primeira vez que esta renomada organização internacional abordou publicamente os efeitos potenciais do aspartame, um ingrediente que provocou debates por décadas.


A evidência e o contexto


Esta conclusão surpreendente foi baseada em evidências limitadas de três estudos observacionais que ligam o consumo de bebidas adoçadas artificialmente a um aumento nos casos de câncer de fígado, em níveis de consumo muito abaixo de uma dúzia de latas por dia. A IARC emitiu uma declaração de advertência de que os resultados poderiam ser distorcidos para o perfil de pessoas que consomem maiores quantidades de bebidas dietéticas e solicitaram mais pesquisas.


Apesar deste anúncio alarmante, um segundo comitê da OMS, o Joint Expert Committee on Food Additives, manteve sua posição sobre um nível seguro de consumo de aspartame. De acordo com seus padrões, uma pessoa pesando 68 quilos poderia beber com segurança cerca de uma dúzia de latas de refrigerante diet por dia sem risco de câncer.


A onipresença do aspartame na indústria alimentícia


A controvérsia em torno do aspartame é ainda mais intensificada por sua presença quase onipresente em nossas dietas. O aspartame, um dos seis adoçantes aprovados pelos reguladores dos Estados Unidos, é encontrado em milhares de produtos, incluindo refrigerantes dietéticos, chás, bebidas energéticas, iogurtes e chicletes sem açúcar. Também é encontrado em diversos produtos farmacêuticos, indicando seu amplo uso na indústria.


As preocupações com o aumento das taxas globais de obesidade e diabetes, bem como as mudanças nas preferências do consumidor, levaram a um aumento na disponibilidade de alimentos e bebidas sem ou com baixo teor de açúcar. A onipresença do aspartame em nossa comida e bebida é inegável.


A resposta do FDA dos EUA


A Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, que aprovou o aspartame décadas atrás, respondeu às descobertas da IARC com críticas incomuns. A FDA reiterou sua posição de longa data de que o aspartame é seguro, mesmo diante das novas descobertas da OMS. Em uma declaração, o FDA declarou que “discorda da conclusão da IARC de que esses estudos apóiam a classificação do aspartame como um possível carcinógeno para humanos”. A FDA foi além, argumentando que o rótulo de 'possivelmente cancerígeno para humanos' não equivale a uma ligação direta entre o aspartame e o câncer.


Espera-se que esta declaração provocativa contra a IARC agite mais debates internacionalmente. A disputa também pode desencadear uma revisão renovada da segurança do aspartame nos Estados Unidos.


A controvérsia não é apenas sobre o aspartame. Outros adoçantes artificiais também enfrentaram escrutínio. O eritritol, por exemplo, está sob investigação quanto a possíveis ligações com problemas cardiovasculares.


Alguns especialistas em saúde até sugerem a eliminação total dos adoçantes artificiais das dietas. A sacarina, outro adoçante, foi removida da lista de potenciais carcinógenos humanos depois que estudos indicaram que não representa risco de câncer.


Uma perspectiva histórica


Olhando para o contexto histórico, a OMS ocasionalmente entrou em conflito com outras autoridades em relação aos riscos potenciais de câncer. Um exemplo notável é o glifosato, um ingrediente do Roundup, um herbicida. A declaração da OMS de uma ligação do câncer com o glifosato levou a uma série de ações judiciais contra os fabricantes do herbicida.


O Papel da Indústria de Bebidas


A influente indústria de bebidas tem contestado consistentemente qualquer descoberta regulatória ou científica que associe adoçantes artificiais a riscos à saúde. Um artigo recente da Newsweek discute o papel da indústria na preservação de escolhas seguras de alimentos e bebidas. O aspartame, no entanto, continua sendo o mais recente ponto de discórdia para as empresas multinacionais que se opõem a novos estudos ou possíveis vínculos de risco à saúde.


Considerações de saúde para consumidores de aspartame:


Apesar do debate em andamento, os grandes consumidores de aspartame podem querer reconsiderar seus hábitos alimentares. O Dr. Francesco Branca, diretor do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS, sugeriu mudar para água ou outras bebidas sem açúcar. No entanto, ele observou que o consumo ocasional não deve representar um risco para a maioria das pessoas.


A recente declaração da OMS de que o aspartame pode ser um possível agente cancerígeno reacendeu o debate sobre sua segurança. Esta declaração, juntamente com as opiniões contraditórias da FDA e da ABA, provavelmente resultará em um período de incerteza e maior escrutínio do aspartame e outros adoçantes artificiais.


Embora seja importante manter-se informado e cauteloso, é igualmente crucial lembrar que os hábitos alimentares envolvem inúmeras variáveis ​​e os resultados de saúde individuais não podem ser atribuídos a um único ingrediente. É aconselhável manter uma dieta equilibrada e consultar um profissional de saúde para aconselhamento personalizado. À medida que novas pesquisas se desenrolam, obteremos uma compreensão mais clara das implicações para a saúde de adoçantes artificiais como o aspartame.





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