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Se nosso corpo tem a capacidade de adoecer, ele não tem a capacidade de se curar?



Essa pergunta é profunda e, na minha visão, essencial.

E sim… se o corpo tem a capacidade de adoecer, ele também tem a capacidade de se curar. A diferença está nas condições que oferecemos a ele.


Vou trazer isso por camadas, porque a cura nunca é linear nem simplista.


1. O corpo já nasce programado para a cura


Nosso organismo é uma máquina de autorregulação extraordinária:

  • Cortes cicatrizam sozinhos

  • Ossos se regeneram

  • Infecções são combatidas diariamente

  • Células defeituosas são eliminadas o tempo todo (apoptose)

  • Tecidos se renovam constantemente


Ou seja, cura não é algo externo, é um processo biológico natural.

O que fazemos, na maioria das vezes, é atrapalhar esse processo.


2. Doença não é punição é um desequilíbrio prolongado


Ninguém adoece do dia para a noite.

A doença é, quase sempre, o resultado de anos de:

  • Estresse crônico

  • Emoções não digeridas

  • Alimentação inflamatória

  • Sono desregulado

  • Falta de sentido, propósito ou alegria

  • Pensamentos repetitivos de medo, culpa ou impotência


O corpo fala quando a alma se cala.

A doença surge como um pedido de ajuste, não como um erro.


3. Biologia confirma o que a consciência já sabe


Hoje a ciência já reconhece que:

  • O sistema nervoso influencia o sistema imunológico

  • Emoções alteram inflamação, hormônios e metabolismo

  • O ambiente interno da célula define sua expressão genética (epigenética)

  • O corpo responde mais ao contexto do que ao diagnóstico


Não somos reféns dos genes.

Somos influenciados pelo ambiente interno que criamos diariamente.


4. A mente não cura sozinha mas pode bloquear ou liberar a cura


Aqui existe um ponto importante:

Pensar positivo não cura ninguém.

Mas pensar negativo continuamente pode adoecer.


Estados como:

  • Medo constante

  • Raiva reprimida

  • Tristeza profunda

  • Sensação de desamparo


Mantêm o corpo em modo de sobrevivência.

E um corpo em sobrevivência não prioriza cura, ele prioriza fuga.


Cura acontece em estados de:

  • Segurança

  • Presença

  • Amor

  • Coerência interna


5. Curar não é “voltar a ser quem era”

Esse ponto é crucial e pouco falado.


A cura verdadeira quase nunca é, “voltar ao estado anterior”


Ela é, tornar-se alguém mais consciente, mais alinhado e mais inteiro do que antes da doença


Muitas pessoas se curam apesar do diagnóstico, porque mudaram:

  • A forma de viver

  • A forma de sentir

  • A forma de se relacionar consigo mesmas


A doença, nesse sentido, vira um portal.


6. Então por que nem todos se curam?

Essa é uma pergunta honesta.

Não é falta de merecimento.

Não é fraqueza espiritual.


Às vezes:

  • O corpo já está muito exaurido

  • O ambiente continua adoecedor

  • A pessoa não consegue sair do estado de medo

  • O apoio emocional é inexistente


Cura exige energia disponível, e isso inclui energia emocional, mental e espiritual.


Em resumo

O corpo sempre tenta se curar.

O tempo todo.

Até o último suspiro.


A pergunta real talvez seja.


Estamos criando as condições para que essa cura aconteça?

E isso envolve escolhas diárias, pequenas, mas poderosas.


Vamos aprofundar um pouco mais:

  • como criar um “ambiente interno” favorável à cura

  • o papel das emoções específicas nas doenças

  • ou como trabalhar isso com pacientes oncológicos de forma ética e consciente


Essa conversa é daquelas que transformam, concorda? Então vamos continuar esse aprofundamento. .

O que é “ambiente interno”?

Não é só o corpo físico.

É o terreno onde as células vivem.


Inclui:

  • Bioquímica (inflamação, glicose, hormônios)

  • Sistema nervoso (luta, fuga, descanso e reparo)

  • Emoções crônicas

  • Pensamentos repetitivos

  • Significado que a pessoa dá à própria história

  • Sensação de segurança ou ameaça


A célula responde a isso tudo.

Sistema nervoso, o maestro da cura

Sem isso, nada funciona.

Modo sobrevivência (simpático)


Ativado por:

  • Medo

  • Insegurança

  • Choques emocionais

  • Diagnóstico vivido como sentença


Nesse estado:

  • Cortisol alto

  • Inflamação alta

  • Digestão bloqueada

  • Imunidade reduzida

  • Reparação celular desligada


Não existe cura profunda em modo de alerta constante.

Modo reparo (parassimpático)


Ativado por:

  • Segurança

  • Presença

  • Respiração lenta

  • Conexão emocional

  • Silêncio

  • Sono restaurador


Aqui o corpo:

  • Regenera tecidos

  • Modula inflamação

  • Ativa o sistema imunológico

  • Reorganiza hormônios


Primeira missão terapêutica, tirar o corpo da guerra.

Prática simples (e poderosa)


Respiração 4–6:

  • Inspire 4 segundos

  • Expire 6 segundos

  • 5 a 10 minutos, 2x ao dia


Isso sozinho já muda a bioquímica.

O papel das emoções na doença (sem culpa)


Emoções não causam doenças isoladamente.

Mas emoções crônicas não resolvidas moldam o terreno.

Vou falar das principais que aparecem em processos de adoecimento profundo:

Tristeza prolongada ou Luto não vivido


Afeta:

  • Pulmões

  • Imunidade

  • Energia vital


Biologicamente:

  • Reduz resposta imune

  • Aumenta inflamação silenciosa


Pergunta terapêutica:

“O que você perdeu e nunca teve espaço para chorar?”

Raiva reprimida ou Ressentimento


Afeta:

  • Fígado

  • Digestão

  • Processos inflamatórios


Raiva não expressa ou não dita, vira:

  • Auto ataque

  • Rigidez

  • Inflamação


Importante:

Raiva sentida com consciência libera.

Raiva engolida adoece.


Medo crônico

Afeta:

  • Rins

  • Sistema nervoso

  • Hormônios


Medo constante diz ao corpo:

“O mundo não é seguro”


O corpo responde:

  • Contração

  • Retenção

  • Defesa


Muitos pacientes oncológicos vivem nesse estado desde o diagnóstico.


Culpa e vergonha

As mais silenciosas e as mais tóxicas.


Geram:

  • Autoabandono

  • Autossabotagem

  • Falta de merecimento da cura


Frase interna comum:

“Eu fiz algo errado para estar aqui.”

Isso bloqueia profundamente processos de reparo.


Falta de propósito ou Sentido

Essa é grande.


Quando a vida perde sentido:

  • O corpo perde direção

  • A energia vital cai

  • A recuperação desacelera


A pergunta não é:

“Por que isso aconteceu?”

Mas:

“Para quê seguir vivendo?”


Como criar um ambiente interno favorável à cura (na prática)


Segurança primeiro


Antes de dieta, suplemento ou terapia:

  • A pessoa precisa se sentir segura

  • Ouvida

  • Amparada


Sem isso, nada “pega”.

Nomear emoções sem julgamento

Não é para “ser positivo”.

É para ser honesto.


Exemplo:

  • “Estou com medo.”

  • “Estou com raiva.”

  • “Estou cansado de ser forte.”


O corpo relaxa quando a verdade aparece.


Criar micro rituais diários

Cura não é evento. É ritmo.


Exemplos:

  • Caminhar ao sol

  • Preparar a própria comida

  • Respirar conscientemente

  • Escrever

  • Meditar 5 minutos

  • Ouvir música que acalma


O sistema nervoso ama previsibilidade.


Alimentar-se bem é como um ato de amor

Não é só “o que come”.

É como você come.

  • Comer com pressa inflama

  • Comer com medo contrai

  • Comer com presença nutre


Ressignificar a identidade

Essa é profunda.

Sair de:

“Sou um doente”

Para:

Sou alguém em processo de reorganização”

O corpo escuta isso.


Cura não é controle é cooperação

O corpo não precisa ser dominado.

Precisa ser escutado.


A doença pergunta:

  • O que você vem ignorando?

  • Onde você se abandonou?

  • Que ritmo não é mais sustentável?


Responder isso muda tudo.


Para mim Vanessa, como terapeuta

Eu não “curo” ninguém.

Eu crio o campo onde a cura pode acontecer.


Presença, escuta e coerência valem mais do que mil técnicas.




1 Comment

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Guest
6 days ago
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Obrigada por tanta informação, nunca li nada tão perfeito. Sempre culpamos o outro pelos nossos problemas e esquecemos que quem causou tal doença em nosso corpo somos nós mesmo.

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