Se nosso corpo tem a capacidade de adoecer, ele não tem a capacidade de se curar?
- Vanessa Bonafini

- 6 days ago
- 4 min read

Essa pergunta é profunda e, na minha visão, essencial.
E sim… se o corpo tem a capacidade de adoecer, ele também tem a capacidade de se curar. A diferença está nas condições que oferecemos a ele.
Vou trazer isso por camadas, porque a cura nunca é linear nem simplista.
1. O corpo já nasce programado para a cura
Nosso organismo é uma máquina de autorregulação extraordinária:
Cortes cicatrizam sozinhos
Ossos se regeneram
Infecções são combatidas diariamente
Células defeituosas são eliminadas o tempo todo (apoptose)
Tecidos se renovam constantemente
Ou seja, cura não é algo externo, é um processo biológico natural.
O que fazemos, na maioria das vezes, é atrapalhar esse processo.
2. Doença não é punição é um desequilíbrio prolongado
Ninguém adoece do dia para a noite.
A doença é, quase sempre, o resultado de anos de:
Estresse crônico
Emoções não digeridas
Alimentação inflamatória
Sono desregulado
Falta de sentido, propósito ou alegria
Pensamentos repetitivos de medo, culpa ou impotência
O corpo fala quando a alma se cala.
A doença surge como um pedido de ajuste, não como um erro.
3. Biologia confirma o que a consciência já sabe
Hoje a ciência já reconhece que:
O sistema nervoso influencia o sistema imunológico
Emoções alteram inflamação, hormônios e metabolismo
O ambiente interno da célula define sua expressão genética (epigenética)
O corpo responde mais ao contexto do que ao diagnóstico
Não somos reféns dos genes.
Somos influenciados pelo ambiente interno que criamos diariamente.
4. A mente não cura sozinha mas pode bloquear ou liberar a cura
Aqui existe um ponto importante:
Pensar positivo não cura ninguém.
Mas pensar negativo continuamente pode adoecer.
Estados como:
Medo constante
Raiva reprimida
Tristeza profunda
Sensação de desamparo
Mantêm o corpo em modo de sobrevivência.
E um corpo em sobrevivência não prioriza cura, ele prioriza fuga.
Cura acontece em estados de:
Segurança
Presença
Amor
Coerência interna
5. Curar não é “voltar a ser quem era”
Esse ponto é crucial e pouco falado.
A cura verdadeira quase nunca é, “voltar ao estado anterior”
Ela é, tornar-se alguém mais consciente, mais alinhado e mais inteiro do que antes da doença
Muitas pessoas se curam apesar do diagnóstico, porque mudaram:
A forma de viver
A forma de sentir
A forma de se relacionar consigo mesmas
A doença, nesse sentido, vira um portal.
6. Então por que nem todos se curam?
Essa é uma pergunta honesta.
Não é falta de merecimento.
Não é fraqueza espiritual.
Às vezes:
O corpo já está muito exaurido
O ambiente continua adoecedor
A pessoa não consegue sair do estado de medo
O apoio emocional é inexistente
Cura exige energia disponível, e isso inclui energia emocional, mental e espiritual.
Em resumo
O corpo sempre tenta se curar.
O tempo todo.
Até o último suspiro.
A pergunta real talvez seja.
Estamos criando as condições para que essa cura aconteça?
E isso envolve escolhas diárias, pequenas, mas poderosas.
Vamos aprofundar um pouco mais:
como criar um “ambiente interno” favorável à cura
o papel das emoções específicas nas doenças
ou como trabalhar isso com pacientes oncológicos de forma ética e consciente
Essa conversa é daquelas que transformam, concorda? Então vamos continuar esse aprofundamento. .
O que é “ambiente interno”?
Não é só o corpo físico.
É o terreno onde as células vivem.
Inclui:
Bioquímica (inflamação, glicose, hormônios)
Sistema nervoso (luta, fuga, descanso e reparo)
Emoções crônicas
Pensamentos repetitivos
Significado que a pessoa dá à própria história
Sensação de segurança ou ameaça
A célula responde a isso tudo.
Sistema nervoso, o maestro da cura
Sem isso, nada funciona.
Modo sobrevivência (simpático)
Ativado por:
Medo
Insegurança
Choques emocionais
Diagnóstico vivido como sentença
Nesse estado:
Cortisol alto
Inflamação alta
Digestão bloqueada
Imunidade reduzida
Reparação celular desligada
Não existe cura profunda em modo de alerta constante.
Modo reparo (parassimpático)
Ativado por:
Segurança
Presença
Respiração lenta
Conexão emocional
Silêncio
Sono restaurador
Aqui o corpo:
Regenera tecidos
Modula inflamação
Ativa o sistema imunológico
Reorganiza hormônios
Primeira missão terapêutica, tirar o corpo da guerra.
Prática simples (e poderosa)
Respiração 4–6:
Inspire 4 segundos
Expire 6 segundos
5 a 10 minutos, 2x ao dia
Isso sozinho já muda a bioquímica.
O papel das emoções na doença (sem culpa)
Emoções não causam doenças isoladamente.
Mas emoções crônicas não resolvidas moldam o terreno.
Vou falar das principais que aparecem em processos de adoecimento profundo:
Tristeza prolongada ou Luto não vivido
Afeta:
Pulmões
Imunidade
Energia vital
Biologicamente:
Reduz resposta imune
Aumenta inflamação silenciosa
Pergunta terapêutica:
“O que você perdeu e nunca teve espaço para chorar?”
Raiva reprimida ou Ressentimento
Afeta:
Fígado
Digestão
Processos inflamatórios
Raiva não expressa ou não dita, vira:
Auto ataque
Rigidez
Inflamação
Importante:
Raiva sentida com consciência libera.
Raiva engolida adoece.
Medo crônico
Afeta:
Rins
Sistema nervoso
Hormônios
Medo constante diz ao corpo:
“O mundo não é seguro”
O corpo responde:
Contração
Retenção
Defesa
Muitos pacientes oncológicos vivem nesse estado desde o diagnóstico.
Culpa e vergonha
As mais silenciosas e as mais tóxicas.
Geram:
Autoabandono
Autossabotagem
Falta de merecimento da cura
Frase interna comum:
“Eu fiz algo errado para estar aqui.”
Isso bloqueia profundamente processos de reparo.
Falta de propósito ou Sentido
Essa é grande.
Quando a vida perde sentido:
O corpo perde direção
A energia vital cai
A recuperação desacelera
A pergunta não é:
“Por que isso aconteceu?”
Mas:
“Para quê seguir vivendo?”
Como criar um ambiente interno favorável à cura (na prática)
Segurança primeiro
Antes de dieta, suplemento ou terapia:
A pessoa precisa se sentir segura
Ouvida
Amparada
Sem isso, nada “pega”.
Nomear emoções sem julgamento
Não é para “ser positivo”.
É para ser honesto.
Exemplo:
“Estou com medo.”
“Estou com raiva.”
“Estou cansado de ser forte.”
O corpo relaxa quando a verdade aparece.
Criar micro rituais diários
Cura não é evento. É ritmo.
Exemplos:
Caminhar ao sol
Preparar a própria comida
Respirar conscientemente
Escrever
Meditar 5 minutos
Ouvir música que acalma
O sistema nervoso ama previsibilidade.
Alimentar-se bem é como um ato de amor
Não é só “o que come”.
É como você come.
Comer com pressa inflama
Comer com medo contrai
Comer com presença nutre
Ressignificar a identidade
Essa é profunda.
Sair de:
“Sou um doente”
Para:
“Sou alguém em processo de reorganização”
O corpo escuta isso.
Cura não é controle é cooperação
O corpo não precisa ser dominado.
Precisa ser escutado.
A doença pergunta:
O que você vem ignorando?
Onde você se abandonou?
Que ritmo não é mais sustentável?
Responder isso muda tudo.
Para mim Vanessa, como terapeuta
Eu não “curo” ninguém.
Eu crio o campo onde a cura pode acontecer.
Presença, escuta e coerência valem mais do que mil técnicas.









Obrigada por tanta informação, nunca li nada tão perfeito. Sempre culpamos o outro pelos nossos problemas e esquecemos que quem causou tal doença em nosso corpo somos nós mesmo.